segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Rua Barão de Jaguara

Falar da Rua Barão de Jaguara é contar a história e essência de Campinas. 
É umas principais e mais antigas ruas da cidade.
Há dois séculos, no período da monarquia, ela já teve outros dois nomes. 
Já se chamou Rua de Cima e também Rua da Direita. 
Já no início da República, exatamente no ano que começou a mesma, ela passou a ser a Rua Barão de Jaguara e se manteve até hoje.
A sua localização no centro da cidade foi algo que a fez estar envolvida com os eventos principais que transcorreram na cidade. 
Em outras palavras, era onde as coisas mais importantes aconteciam passado.
Ela já foi sede da Câmara Municipal, e foi o primeiro endereço campineiro a receber energia elétrica.
Para as pessoas que iam ao centro e chegavam das regiões de Jundiaí, São Paulo, Sorocaba... Passar pela mesma era uma rota natural. 
Sempre muito movimentada, seja por carros de boi, cavalos, simples e/ou suntuosas charretes no período mais antigo; seja por automóveis ao longo da história, desde a era fordista até os dias atuais.
Descendo a rua à partir do seu início, temos a Praça José Rodrigues, onde começa também a Rua Proença, que vai para outro sentido da cidade.
Bem ainda no começo, temos o Colégio Ave Maria, de educação religiosa e católica. Na sua igreja, à parte do colégio, as pessoas podem visualizar uma imagem bem bonita e protetora de Nossa Senhora das Graças, que fica voltada para a rua. Agregado ao colégio há ainda irmãs de caridade vivendo no mesmo local. Elas são responsáveis pelas atividades educacionais, religiosas e sociais.
Um pouco mais adiante, temos a Casa de Santa Ana. Este prédio foi criado pela Igreja na época do Vargas, década de 30, com a ideia de ser um abrigo para meninas carentes. Naquela época, o prédio era conhecido como Associação do Asilo Santa Ana, e ensinava diversos trabalhos domésticos às suas alunas, como culinária, artesanato, corte e costura... Terminados os cursos, havia em encaminhamento destas meninas para trabalharem em casas de família da cidade, escolas, hospitais... Ao longo de sua história, aconteceram algumas mudanças, no qual foi dado ênfase também a outros grupos específicos de pessoas necessitadas e carentes, mas o local sempre manteve sua vocação, focada na caridade, integração social e auxílio aos mais necessitados.
Descendo um pouco mais a rua, chegamos ao primeiro largo a o qual esta rua faz parte: Largo do Pará. Em conversas com as pessoas mais antigas, consta que neste local nascia o Rio Tanquinho, e que até o final da década de 20, o nome desta praça fazia jus ao nome do seu rio. Era o Largo do Tanquinho. Este rio ia descendo nesta rua, passando pela Dr. Quirino (Rua do meio), Luzitana (Rua de Baixo), Avenida Anchieta (...), para depois, muito mais adiante, desaguar no Rio Anhumas. Hoje isso não é percebido pelos moradores, pois ele foi coberto e canalizado em parte do seu curso inicial.
Seguindo a rua após o cruzamento com a Avenida Moraes Sales, há um local muito interessante para se conhecer: Galeria Barão Velha. Neste local, recentemente reformado, podem ser vistos os primeiros conceitos e tendências comerciais de agrupamento de lojas na cidade. Atualmente, numa escala bem maior, conhecemos isso como shopping, mall... Os mais saudosistas, certamente, têm incontáveis histórias a respeito deste local, pois era um ponto de encontro de muita gente. No local, já existiu até um cinema, hoje desativado. Trata-se do Cine Paradiso. Havia também um atrativo a mais neste local, que era a orquestra de moças. As mesmas eram regidas por uma violinista francesa, que segundo consta, era de muito renome e famosa, o que aumentava ainda mais o movimento. Esta admiração por algumas das moças da orquestra já rendeu até casamento. Hoje, este local está em pleno funcionamento, com lojas de vários segmentos.
Na esquina com a Ferreira Penteado, havia a Farmácia Merz, com fundação datada de 1910. Algo interessante na sua fachada é uma serpente, que é o símbolo muito conhecido aos profissionais da área da Saúde. Segundo fontes levantadas, seria um Esculápio, com figuras humanas e leões.
Seguindo a ordem natural de descida da rua, temos o Mercado Campineiro. Este merece uma crônica exclusiva, para que se possa detalhar uma infinidade de comércios interessantes que estão no mesmo. É um excelente local para se frequentar.
Muito próximo ao mercado, temos a Galeria Trabulsi, também ligada com este conceito de agrupamento de lojas diversas. Lembro que o elevador da mesma foi, até muito recentemente, no estilo à moda antiga, no qual a porta ainda era de grades sanfonadas, ao invés da porta automática. Tinha ainda um ascensorista - algo cada vez mais raro - para conduzir as pessoas aos diversos andares deste prédio. Nesta Galeria há uma passagem direta para a rua Dr. Quirino. Esta via tem muita circulação de pessoas na hora do almoço.
Passando a Rua Conceição, havia a Continental. Esta era conhecida também como Caderneta de P oupança. Nesta época, se podia tranquilamente sair deste local com dinheiro no bolso. Neste trecho da rua há hoje algumas livrarias no entorno, que recebem bastantes leitores de livros que queiram comprar, presentear ou simplesmente folhear novos livros para ver as tendências e lançamentos do mercado literário.
Na esquina com a César Bierrembach, temos o primeiro arranha céu da cidade, com sete andares. Hoje funciona no local um Hotel, que foi recentemente reformado e está em plena atividade, bem como um cartório de registro civil.
Chegamos ao Largo do Rosário. É aí que os protestos, passeatas, comícios, apresentações populares e outros foram e são realizados. É simplesmente o coração da cidade.
Nesta região, começa a crescer o reduto da bohemia, que passou por várias modalidades e segmentos at&eacut e; os dias atuais, com uma lista de bares, cafés e restaurantes que existiram e vigoraram durante um bom tempo, e em períodos/décadas bem distintos. Uns já se foram, outros ainda funcionam e novos virão. Aliás, assim como a vida, à noite e a bohemia têm os seus ciclos.
Aos pontos extintos, destaque para o Bar Cristofani. Este, em especial, é muito mencionado nas crônicas de Campinas. Na linha dos extintos, havia também o Taco de Ouro, reduto dos sinuqueiros e jogadores que viravam a noite com suas apostas, seus vícios. Nos casos mais extremos, consta que, mediante as apostas, muitos voltavam ricos para casa, assim como outros perdiam tudo e entregam até a família. Os relatos deste local são mais recentes, à partir do final da década de 50. Ainda extinto e contemporâneo a este, havia o Café do Povo, ponto de muita conversa regada a café, numa época intermediária entre o final da era Vargas e o período do governo Figueiredo.
Para os pontos ainda em pleno funcionamento, destaque nesta região para o Restaurante Éden Bar com o famoso Bife à Parmegiana. Uma boa pedida no almoço. Além disso, temos o famoso Café Regina, que leva este nome devido ao prédio no qual o mesmo está localizado. Este funciona desde 1952, conforme sua própria fachada anuncia.
Ele passou por várias reformas ao longo da história, e se moderniza a cada uma delas. É o mais popular da cidade.
Este ponto do café, juntamente com a Padaria Orly, que fica em frente ao mesmo, já foram decisórios nos rumos políticos da cidade ao longo de várias gerações, uma vez que eram os locais de encontros dos vários políticos influentes da cidade. Regado a uma xícara de café coado na hora, muitas articulações políticas eram feitas e discutidas neste circuito. Além disso, outros grupos, não somente de políticos iam.
Numa época em que não havia internet e celular, esta região era um local em que grupos de áreas profissionais distintas se encontravam para discutir assuntos diversos como cultura, filosofia, história... E hoje, mesmo com tanta tecnologia se mantem este ritual, com algumas particularidades. É o serviço de encontro natural que os cafés proporcionam em qualquer cidade. Porém, devido uma série de outros fatores, dentre eles destaque especial para a concorrência com novos cafés e padarias da cidade, este movimento de pessoas é feito também em outros pontos da cidade. Isso seria uma diferença para os tempos passados, em que as opções da cidade se concentravam quase que especificamente neste meio.
Chegamos ao Largo do Carmo, que leva este nome em função da Igreja de Nossa Senhora do Carmo que fica também no local. É uma praça que já passou por praticamente todos os ciclos importantes da história da cidade. Funciona nela uma feira de artesanatos e variedades durante as quintas e sextas feiras. Nela está também o Jóquei Clube, onde se pode apostar em corridas de cavalos. Ir neste local é voltar no tempo.
Terminando o percurso, chegamos ao final, na esquina com a Barreto Leme.
A rua acaba aqui, mas a história não. Ela é contínua e viva.
Ao longo deste texto, alguns pontos foram citados, outros esquecidos, outros ainda omitidos. Novos pontos surgirão, outros serão fechados, o que é algo natural em qualquer cidade. Mas apesar de todas as mudanças e de muito tempo que já se passou , desde o seu primeiro nome (Rua de Cima) até os dias atuais, acredito que ela ainda represente muito da essência desta cidade. Preservar os pontos que restam desta rua é algo importante. É conservar uma enciclopédia viva de Campinas.

Bairro Ponte Preta

            Um dos bairros mais antigos de Campinas, que vem se modernizando nos últimos anos com a expansão imobiliária.
            O bairro que antes era tranquilo, agora já enfrenta (em alguns momentos) um ligeiro congestionamento nos horários em que as pessoas vão e retornam do trabalho. Algo perceptível na Ângelo Simões, Saudade e Abolição. Mesmo assim, a tranquilidade pode ainda ser notada em ruas como Afonso Pena, Henrique Dias...
            Com seus moradores mais antigos é possível conhecer mais detalhes, contos e histórias do bairro. Pessoas que veem hoje as mudanças naturais que o bairro vem passando, m as que não trocariam jamais de endereço.
            Há algumas décadas o bondinho era o principal veículo que unia o centro ao Cemitério da Saudade. Junto à entrada deste, podemos ver uma homenagem de Campinas aos soldados que entregaram suas vidas na Revolução de 32. A revolução é um marco para o Estado, tanto que isto é sempre oficialmente lembrada no calendário civil do Estado. Trata-se do feriado de 09 de julho. Uma homenagem aos combatentes.
            Em conversas com antigos residentes da Rua Abolição ... muitas lembranças e casos. Contos de jovens que, durante os vários ciclos e fases da ditadura militar, eram clinicamente diagnosticados como loucos e levados para o Sanatório Santa Isabel, simplesmente por serem considerados subversivos ao regime at&e acute; então vigente. O prédio foi desativado durante um bom tempo. Depois foi albergue para moradores de rua. Hoje faz parte do condomínio residencial Pateo Abolição. Passou por uma considerável reforma, tendo sua fachada preservada. Agora o mesmo se encontra incorporado ao condomínio e é, naturalmente, privado. Ainda na Abolição, muita conversa era trocada na Padaria Santo Antônio, na barbearia do Seu Zé e no Bar Canindé. Neste reduto, de praxe, podia se fazer uma fezinha com o jogo do bicho. Hoje, isso tudo acabou. E só ficou nas lembranças de quem conta.
            Para a comodidade dos comerciantes locais, podia se fazer a contabilidade ali mesmo, sem a necessidade de ir ao centro, o que, naturalmente, tinha outras opções. Isso podia ser feito no Escritório Contábil São Manoel.
            Mudando de rua, indo para a Saudade, vemos a religiosidade presente numa das maiores Igrejas de Campinas, a de Santo Antônio. Sempre cheia aos domingos, a mesma tem um movimento atípico de fiéis e visitantes uma vez por ano, o que é bem além de sua rotina e do calendário litúrgico convencional. Isso ocorre em junho, na data do Padroeiro. É um número expressivo de devotos que visitam a mesma com vários propósitos de alcançar graças, em especial a do casamento. Outro ponto nesta rua e que não existe mais é o Instituto Adolfo Lutz, produtor de vacinas. Neste local temos hoje o moderno prédio da SANASA.
            Duas escolas de mesmo nome havia na Saudade: o Colégio Dom Barreto. O particular está em pleno funcionamento de suas atividades. O estadual não existe mais no local.
            Durante um bom tempo, e especialmente aos domingos, era comum se comprar marmitas das irmãs. Naquela época, as pessoas levavam marmitas de alumínio de casa, e elas voltavam cheias de comida para o almoço dominical, com um tempero especial que valia a pena.
            Na parte do misticismo, havia uma benzedeira muito famosa na região, que morava próxima à ponte em que começa a Avenida Ângelo Simões. Dona Dioma, como era conhecida, tinha poderes adicionais com suas orações. Era uma benzedeira que atraía gente de todas as partes da cidade e de outros municípios. Curava muitos males que a medicina nem sequer prescrevia.
            Quanto à boemia, isso não mudou. Alguns bares até fecharam e outros abriram, mas esta essência do bairro se manteve, e é uma marca registrada. Um bar que é muito conhecido tanto pelos nostálgicos quanto saudosistas é o Canindé, que hoje só resta na memória. Por outro lado, existem os tradicionais que continuam a todo vapor, como Adega Santo Antônio (de influência portuguesa, com bandeira de Portugal e imagem de Nossa Senhora de Fátima – para quem não souber: a padroeira dos lusitanos); o Vadico (reaberto e restaurado pelo filho do mesmo recentemente); o Soares e outros mais... A lista aqui é longa e considerável.
            Uma curiosidade aos leitores que não conhecem Campinas... A Ponte Preta - que é o maior e mais popular clube de futebol de Campinas - não fica no bairro que leva o mesmo nome. O clube fica no Jardim Proença.
            Conhecer o bairro da Ponte Preta é algo que vale a pena. É um bairro cheio de peculiaridades, com presença significativa na história de Campinas. O bairro tem incontáveis pontos positivos. A ideia aqui é somente exaltar a região, que tem vastas qualidades e merece uma visita detalhada e com tempo. Sugiro que os interessados em saber mais sobre a cidade façam o mesmo.

Mercado Municipal

Este sim tem história para contar.
Projetado por Ramos de Azevedo, arquiteto da cidade e que depois se destacou com maior grandiosidade em São Paulo, o Mercado Municipal é um interessante local para conhecer um pouco mais da história de Campinas. 
É uma enciclopédia viva.
O mercado possui uma diversidade de comércios e segmentos. Uma imensa quantidade de produtos bem variados num só local. 
De uma forma geral, pode se encontrar praticamente de tudo considerado popular.
Além da sua estrutura física interna com seus boxes divididos, a área externa também se integra ao mesmo de forma harmônica. Isso pode ser observado externamente nas bancas de verduras, temperos, flores, frutas, etc. Alguns destes comércios mantêm uma forma de vender seus produtos assim como há décadas passadas. 
Em algumas situações muito específicas, é como se a forma de comercializar, bem como os produtos vendidos, estivessem parados no tempo. 
E põe tempo nisso!
No segmento de tabacaria, destaque especial para a banca que vende fumo de corda: um hábito que atravessou gerações, e o canivete antigo também. Ambos faziam parte de um ritual antigo em que meu avô preparava seu cigarro de palha em paralelo com as conversar e casos que ia contando da vida. Lá também se acha o rapé, produto cada vez mais raro. Tudo isso faz lembrar bastante a época em que o ritmo das coisas era mais devagar, sem a pressa de hoje.
No comércio de especiarias, é possível encontrar temperos para boa parte das receitas gastronômicas de hoje. É um local excelente para pessoal que busca ingredientes um tanto que raros para o preparo de pratos, doces, carnes...
Para quem busca a cura de doenças por meio da fitoterapia, pode ir numa banca que vende uma vasta lista de plantas medicinais.  Na mesma banca, pode ser obtida gratuitamente uma lista de indicações entre os principais problemas de saúde das pessoas correlacionados com as plantas que seriam recomendadas para o respectivo tratamento.
Aos que gostam de pescaria, há entre 2 ou 3 bancas em que se podem encontrar produtos relacionados com a pesca.
As pessoas que gostam de usar chapéu têm disponíveis uma loja em que há uma variedade enorme de produtos. Em Campinas, lembro-me somente de outras duas ou três lojas que vendiam produtos similares, mas isso não é no mercado.
Diferentes tipos de pimenta têm endereço numa banca, que praticamente vende somente este tipo de produto. Neste caso, praticamente se acham as mais conhecidas e famosas do mundo, como Habanero, Jalapeña, Bhut Jolokia,  além é claro das nacionais: Dedo de Moça, Murupi, Malagueta, Biquinho, Cambuci...
Bancas com produtos japoneses e coreanos estão presentes também, cada uma delas representando seus típicos e respectivos produtos.
No mercado de carnes, encontra-se praticamente de tudo: peixes, aves,  suínos, bovinos etc.
Além dos já citados, há muitíssimos outros que aumentariam, e muito, a lista de opções que o mercado oferece: sucos, laticínios, queijos, doces, pamonhas, salgados...
Mais que citar as opções que o mercado oferece, o interessante mesmo é ir conhecê-lo. Isso para quem ainda não foi. 
E aos que já foram um dia, recomendo que voltem para uma nova visita. 
Acho que vale a pena.
É mais uma oportunidade para os que queiram conhecer melhor a cidade de Campinas.

Andando pelo Centro

Chego de manhã no terminal de ônibus, depois de sair de casa bem cedo, enfrentar um bom tempo no ônibus. Inúmeras paradas para o sobe e desce de passageiros.
Finalmente, estou na região central de Campinas.
Neste novo dia que se inicia, olho pro relógio. É bem cedo.
No comércio, algumas portas começam a se abrir...
Nas padarias e lanchonetes, já abertas, um movimento considerável de pessoas tomando café ... uns meio apressados, outros mais sossegados, com condições de analisar o movimento das pessoas.
No cardápio, o que mais se consome: de bebida: café e pingado; para comer: pão na chapa e principalmente pão de queijo.
De todas das cidades que já conheci, nenhum lugar come tanto pão de queijo quanto aqui. Talvez pela praticidade para quem vende (dado a industrialização deste produto). E pelo preço para quem compra. Combinado, naturalmente, com o paladar... ele é disparado o produto mais consumido na cidade para quem toma café na rua.
Pelas manhãs, é muito comum se perceber nos apressados levando um pacotinho. Com um, dois, três...
O corre corre é para a maioria, mas nem todos estão neste ritmo frenético, estes vão as padarias como um ritual, com tempo para conversar com pessoas conhecidas, ler um jornal, conversar com os balconistas... Nestes casos, o café é um mero pretexto para a socialização.
No centro, posso citar com certeza vários pontos em que isso é perceptível.
Andando pelas ruas, vou notando o movimento das pessoas... As bancas de jornal, já abertas bem cedinho, sempre param os curiosos com as notícias do dia. A leitura é bem superficial, somente nas manchetes e nos curtos fragmentos que algumas matérias deixam. A relação entre os que param nas bancas e efetivamente compram um jornal é quase insignificante. Nos sinais, e, provavelmente, de olho neste perfil de leitores de manchetes ou de temas bem superficiais, jornaleiros distribuem jornais gratuitamente.
Acredito que em cidades maiores, haja até mais grupos atuando nesta linha, em que o faturamento dos grupos de comunicação está associado ao marketing feito nestes periódicos.
No trânsito, a correria e caos de sempre, com os motoboys sempre achando que a pressa é só deles, e a prioridade também. Colocam em risco a vida de todo mundo, sem nenhuma prudência.
Em pontos estratégicos das esquinas, sempre um amarelinho, à espera iminente de um vacilo dos condutores para aplicar suas multas, de caráter único e exclusivamente educacional... Pelo menos é o que dizem.
Na porta de empresas de recrutamento, um drama coletivo cada vez maior, filas e filas em busca de nova oportunidade. No CPAT então...
Na catedral, um movimento contínuo de entrada de pessoas... Muitas vão buscar forças do alto para a batalha diária da vida... outros, num ritual religioso e de fé vão para a missa matinal, outros para o terço e outros, simplesmente para adorar o Santíssimo e/ou venerar Nossa Senhora da Conceição.
Na 13 de maio, gente que já levantou bem mais cedo que eu, com seu comércio itinerante e livre na rua. A maioria, peruanos e bolivianos... um tanto que receosos para uma conversa mais detalhada, devido a suposta ilegalidade no país. O tempo de permanência destes ambulantes vai ao limite do permitido pela SETEC... Até os últimos instantes permitidos fica a esperança de vender para os apressados que passam pela rua.
De tudo isso, posso dizer, a vida começa bem corrida na cidade. E na maior parte dos casos, a pressa é perceptível.
É o medo de perder algo que está sendo segurado por um fio, é o eficiente transporte que mais uma vez atrasou e este atraso deva ser compensado com passos mais largos...
Com tanta pressa, não tem nem como ter espaço pra reflexão, é um ritmo frenético imposto pela vida, que simplesmente diz às pessoas bem cedo: "Levanta e vai".
As pessoas vão, e sabe se lá como vão.
Na conversa dos cafés, um tema genérico são os problemas cada vez maiores. É um pessimismo generalizado e crescente. A sensação negativa é facilmente notada, mas algo curioso vem de tudo isso.
E daí vem uma pergunta? Se tá tão difícil e adverso assim, por que as pessoas, na sua maioria, não param? Como este negativismo não paralisa?
Creio que o motivo seja uma esperança coletiva, muito supostamente até mesmo inconsciente, que muitas vezes não é nem mesmo verbalizada ou sentida pelas pessoas, mas com força suficiente para nos empurrar pra frente. Num momento em que já nem sequer temos noção se há energia e força. Num momento de total fadiga mental.
Uma energia mínima que nos faz lutar por mais um dia. 
Um impulso maior, da vida, capaz de não nos deixar que fiquemos parados, mesmo que as condições externas sejam adversas, hostis...
Cada um, dentro de suas experiências de vida, pode manifestar esse empurrão de várias formas.
É o impulso de Deus que nos move, que nos faz ter fé que algo de melhor possa acontecer, mesmo que nos arredores não haja nada dando sinais disso.